sábado, 5 de dezembro de 2020

 


Modernização técnica e administrativa

Os processos de modernização técnica e administrativa são frequentemente muito disruptivos (espera-se que no bom sentido) para as organizações mas muitas vezes são "invisíveis" para o exterior.

De todos os processos relacionados com modernização administrativa dinamizados no seio da Federação de Ginástica de Portugal entre 2012 e 2020 uma boa parte deles foram percebidos muito tenuamente ou não percebidos de todo pela comunidade gímnica. Contudo foram estruturantes e determinantes na capcidade que a organização teve que ganhar para fazer face aos compromissos internos e externos numa fase de grande crescimento do número de filiados, que tornou cada vez mais complexa a gestão técnico-administrativa da Ginástica.

Enumero alguns desses processos realçando as vantagens que trouxeram, deixando à consideração do leitor a perceção que teve dos mesmos.

Uma consideração prévia: Nenhum processo de  modernização administrativa é possível sem que a organização funcione como um todo, em equipa, com cada uma das suas peças (as pessoas) a saber qual é a sua função e a trabalhar para a concretizar e, por vezes, utilizando parcerias com pessoas ou entidades externas.

Gymbase - Implementada em 2013, substituiu uma base de dados anterior que tinha funcionalidades limitadas e em relação à qual existiam imensas dificuldades para efetuar atualizações. A implementação da Gymbase foi difícil no primeiro ano mas a partir daí entrou em "velocidade de cruzeiro". Foi o elemento crucial para serem alcançados os seguintes objetivos:
  • Aliviar trabalho às Associações Territoriais que anteriormente geriam todo o processo de filiações de uma forma mais ou menos manual;
  • Possibilitar a gestão, de uma forma automática, de um volume muito grande de filiações (o número de filiações mais do que duplicou entre 2012 e 2020);
  • Possibilitar a extração de indicadores de gestão cruciais para a tomada de decisões não só ao nível da gestão política da FGP mas também ao nível da gestão técnica e financeira.
Em 2018, por via da entrada em vigor do Regulamento Geral da Proteção de Dados individuais, foi necessário proceder a alterações significativas aos mecanismos de filiação na Gymbase.

Como qualquer Base de Dados a Gymbase é um processo em constante evolução.

Sítio Internet - Antes de 2012, o sítio Internet era um conjunto de páginas de hipertexto estáticas sem possibilidade de extração de indicadores de gestão e com  capacidades de atualização e interação muito reduzidas. Com a construção do sítio Internet atual, totalmente assente em Bases de dados, as limitações anteriores desapareceram. Apesar de haver margem de progressão, designadamente ao nível da integração de serviços como a loja online, a estrutura atual (goste-se ou não da parte gráfica) é fácil de atualizar e fornece dados à organização sobre uma série de indicadores importantes de apoio à decisão.

Ligação da Gymbase à faturação e emissão de referências multibanco automática - Sendo funcionalidades relativamente recentes implementadas pelos serviços financeiros da FGP dão, não só maior conforto aos utilizadores, como contribuem para uma redução muito acentuada do trabalho manual dos serviços financeiros e administrativos. Existe uma funcionalidade complementar ainda não implementada na totalidade que é a ligação à contabilidade (a ligação com o sofware de gestão financeira) que, quando acontecer, significará uma total automatização destes procedimentos.

O processo acima descrito teve uma outra consequência muito importante.

A redução drástica dos prazos de produção de mapas de controle orçamental. Neste momento com um delay de apenas cerca de 30 dias quando anteriormente era de 3 ou 4 meses. Esta circunstância possibilita a tomada de decisões de gestão e um efetivo acompanhamento da execução orçamental, permitindo intervir em tempo útil quando ocorrem circunstâncias que impliquem alguma correção.

Dematerialização dos processos técnico-administrativos -  Desde 2014 que todos os processos técnico-administrativos na FGP estão desmaterializados com base num Sistema Integrado de Processamento de Informação, ou seja, as peças processuais em papel são em quantidade residual desenrolando-se os processos técnico-administrativos em ambiente eletrónico. As vantagens desta realidade são:
  • A possibilidade de um maior escrutínio das tomadas de decisão;
  • A rapidez dos processos;
  • A segurança arquivística;
  • A possibilidade de serem extraídos indicadores estatísticos de apoio à decisão;
  • A proteção do meio ambiente.
Processamento de resultados desportivos - Desde 2013 que a FGP tem sistemas profissionais de processamento de resultados em tempo real em todas as disciplinas (no Teamgym apenas desde 2015). Mais recentemente foi incluída a interligação com a app da FGP o que possibilita o acompanhamento por parte do público quer seja presencialmente ou remotamente, através de um telemóvel ou tablet, dos resultados em tempo real. O passo seguinte é a interligação destes sistemas com a Gymbase o que possibilitará o cruzamento de dados de ginastas com os resultados e a construção automática de palmarés assim como a ligação das inscrições em competições com os programas de gestão de resultados.

Embora pudesse aqui continuar com inúmeros exemplos relevantes, termino com o avanço mais recente, planeado há muito tempo, mas "empurrado" pela crise sanitária que fez com que os eventos de Ginástica se processem neste momento sem público.

Refiro-me ao streaming de todos os eventos de Ginástica organizados pela FGP. Objetivo há muito delineado mas só agora possível de implementar, esperando-se que se possa tornar uma prática corrente.

Boas reflexões.

 




 

domingo, 29 de novembro de 2020

Rigor financeiro

 


Rigor financeiro

Em janeiro de 2012 a Federação de Ginástica de Portugal (FGP) tinha cerca de 1 000 000 € (um milhão de euros) de dívida de curto e médio prazo. 

Como se tal não fosse suficientemente mau, tinha sido efetuada cerca de um ano antes a integração das disciplinas gímnicas que faziam parte da Federação Portuguesa de Trampolins e Desportos Acrobáticos (FPTDA) na FGP, num processo que alguém um dia qualificou como a "junção de duas falências numa só de maior dimensão".

Chegados a 2020 já ninguém se lembra desses tempos (alguns fazem por não se lembrar) mas, sendo certo que a saúde financeira da FGP é hoje em dia evidente, a sua destruição pode muito facilmente ser causada por seis meses ou um ano de gestão ruinosa.

Como se chegou aqui e porque é que as conquistas efetuadas podem ser facilmente destruidas é o que explicarei a seguir.

Em 2012 o dilema era este: "Como manter e desejavelmente aumentar a atividade, designadamente ao nível do Alto Rendimento e também ao nível do desenvolvimento da prática desportiva num cenário em que o financiamento público da Ginástica era cerca de metade da soma do financimaneto público à FPTDA e FGP em anos anteriores à reintegração das disciplinas de Ginástica de Trampolins e Ginástica Acrobática na FGP e as dívidas de curto e médio prazo da FGP ascendem a cerca de 1 000 000€ (um milhão de euros)?"

Também não ajudava a existência de uma cultura organizacional que construía orçamentos com base em necessidades financeiras sem considerar os recursos (planos de tesouraria), havendo também mecanismos de controlo da despesa muito frágeis e um muito fraco retorno às empresas e instituições parceiras.

Mas não se pense que o rigor financeiro é apenas uma questão de "deve e haver", de simples aritmética. É muito mais do que isso como se verá.

Foram implementados de imediato alguns ajustes que permitiram ir mantendo a "cabeça à tona da água", pedido crédito bancário a muito custo conseguido, dado o historial à data da FGP ao nível financeiro e iniciou de imediato um período de reflexão no seio da Direção da FGP mas também junto da comunidade gímnica que conduziu à criação, em maio de 2013, de um documento que compilou uma série de elementos estratégicos para a sustentabilidde da Ginástica portuguesa no quadriénio respetivo. Esse documento partiu de uma análise S.W.O.T. da em várias dimensões, traçou um "retrato" e a partir daí definiu objetivos de sustentabilidade e medidas associadas com vários cenários nalguns casos. As medidas incidiam em três dimensões: Administrativa, Desportiva e Financeira.

Relativamente à dimensão financeira foram considerados os seguintes princípios e tomadas as seguintes medidas:

  • Nos anos em que a FGP (anteriormente a 2012) conseguiu equilíbrio financeiro, fê-lo sempre à custa de receitas extraordinárias. Esse equilíbrio financeiro deve porvir de receitas ordinárias
    • Reformulação das taxas de filiação base numa elasticidade moderada/baixa e num crescimento nulo de filiados (como se viu depois esta assunção, como convém era muito conservadora).
    • Reformulação das taxas de participação em competições e eventos com numa elasticidade próxima de 1)
    • Manutenção das entradas pagas nos eventos FGP reforçando a política de redistribuição de receitas com entidades coorganizadoras.

  • Renegociar seguros por forma a obter produtos mais baratos, sempre adequados às necessidades.
    • Tendo como objetivos baixar prémios e franquias.
    • Todos os prémios, incluindo aqueles que não eram revelados publicamente para permitirem a fixação de taxação autónoma por parte dos clubes serão divulgadas no manual de filiação e refiliação numa perspetiva de cativar mais pessoas a subscrever o seguro básico e o seguro de competição da FGP.
  • Nível de receitas extraordinárias deve permitir o saneamento financeiro progressivo e o atingir de patamares compatíveis com investimentos estratégicos
    • Manutenção do ritmo organizativo de grandes eventos internacionais
      • Continuação da organização de um mínimo de 5 etapas de taças do mundo (1 por disciplina em que existe circuito);
      • Campeonato da Europa de ACRO em 2013 em Odivelas
      • Campeonato da Europa de TRA em 2014 em Guimarães;
      • Em estudo apresentação de candidatura ao Campeonato da Europa de AER em 2015
      • Apresentada candidatura ao Festival Golden Age 2016 no Funchal

    • Criação de eventos nacionais com formatos mais apelativos que possam aproximar o público em geral da Ginástica
      • Espetáculo flic-flac
      • Espetáculos gímnicos de alto perfil através de situações de competição formal com regulamentos adaptados ou situações informais de “despique” sempre com grupos de ginastas muito restritos e selecionados entre os melhores ginastas das seleções nacionais
    • Intensificar os esforços de angariação de patrocínios em dinheiro e em serviços
    • Intensificar a procura de parcerias locais para projetos específicos e para o cartão amigos da Ginástica
    • Continuação de candidaturas a fundos europeus quando possível e a fundos promovidos por instituições privadas
    • Criação da marca FGP com produtos associados apetecíveis para a comunidade e público em geral
No final do ano de 2016 a FGP chegou a um ponto muito próximo da total solvabilidade que só não foi antecipado dada a circunstância de, em julho de 2013 o governo ter anunciado um corte de mais de 20% no financiamento às federações num momento em que a execução orçamental estava já a cerca de 80%.

Por volta do final do ano de 2018 deixou de ser necessário continuar a haver um foco na dívida por a mesma ser inexistente e a FGP deixou de ter necessidade de recorrer a créditos ou contas caucionadas nos bancos.

Claro está que o factor decisivo do sucesso neste processo não foi o planeamento (embora tenha sido o ponto de partida) mas sim a execução. E para essa execução a direção financeira da FGP desenhou um conjunto de procedimentos relativos ao controle da execução orçamental, à modernização da estrutura administrativa e financeira e à monitorização dos fluxos financeiros que como se vê nos dias que correm resultou em pleno. Para isto toda a estrutura da FGP teve que contribuir. Desde logo os serviços administrativos e financeiros mas também, de uma forma muito intensa, toda a Direção Técnica Nacional que atingiu, nos dias que correm, um grau de proficiência muito elevado no plano e controlo de fluxos financeiros fator crucial para o sucesso dos macanismos dado o volume de recursos financeiros com que lidam anualmente.

Hoje em dia a FGP consegue gerir o dia a dia e ainda pensar estraegicamente ao nível dos investimentos e tem um grau de autonomia relativamente ao financiamento público cada vez maior (cerca de 70% atualmente)

Mas atenção! Nem o trabalho está fechado nem se pode dizer que haja ausência de riscos. Basta que uma qualuqer gestão da FGP desvalorize o caminho até aqui percorrido ou os instrumentos desenhados para que, como anteriormente afirmei, em seis meses a um ano, a FGP volte a estar numa situação muito complicada ao nível financeiro.

Pessoalmente espero que esta minha afirmação nunca possa ser comprovada.


domingo, 15 de novembro de 2020

Regulamentos


Regulamentos



Quando, em janeiro de 2012, iniciámos esta aventura de nove anos de gestão da Federação de Ginástica de Portugal (FGP) começámos, entre outras coisas, por regulamentar uma série de áreas de atividade que tinha uma regulação anacrónica ou, na maior parte dos casos, inexistente.

Esta "onda reformista" foi malvista por alguns e considerada exagerada. Na minha opinião, tal forma de olhar para esta questão só se pode admitir se houver desconhecimento total ou parcial da realidade anterior ou do real sentido dos regulamentos criados ou alterados.

Assim, inicio hoje uma série de textos sobre a gestão da FGP nestes últimos nove anos, para memória futura, porque a mesma é frequentemente de curta duração e porque sinto que, ao longo destes anos, muitos foram os momentos em que eu próprio e a direção da FGP fomos injustamente tratados, a maior parte das vezes por desconhecimento dos assuntos.

De quem é a culpa? Provavelmente nossa ao não termos sabido bem comunicar o que estávamos a fazer, mas acreditem, sobretudo nos primeiros anos, cada dia que passou foi uma autêntica caixa de surpresas em que a única coisa a fazer foi "correr atrás do prejuízo" tendo o dia-a-dia um efeito esmagador sobre qualquer pensamento mais descontraído ou reflexivo.

Assim, porque mais de 400 pessoas se deram ao trabalho de ler o primeiro texto que escrevi em 21/08/2020, dou agora início a uma série de onze textos que, espero, façam jus a todo o trabalho desenvolvido pela Direção da FGP, mas também de todos os colaboradores, Associações Territoriais, clubes, treinadores, dirigentes, juízes e, claro está, ginastas, ao longo destes últimos nove anos.

Não vou citar exaustivamente todos os regulamentos produzidos ou alterados pela atual direção, antes me vou centrar naqueles que considero os mais estruturantes para a Ginástica portuguesa tendo a certeza que continuarão a sê-lo no futuro.

Não falarei portanto de alterações estautárias (da responsabilidade da Assembleia Geral) ou do Regulamento eleitoral (obrigatoriamente ratificado pela Assembleia Geral), tendo sido efetuadas algumas. Contudo, tais alterações inserem-se mais num quadro de obrigações legais da FGP do que num quadro reformista do sistema. De resto as alterações mais profundas a estes dois regulmentos foram efetuadas ainda antes do início da nossa gestão na sequência da aprovação do Regime Jurídico das Federações Desportivas em 2008, tendo sido um trabalho profundo e difícil conduzido por uma equipa chefiada pelo então Presidente da Mesa da Assembleia Geral José Manuel Araújo. Das modificações posteriores a 2011, apenas se realça a integração da Ginástica de Trampolins e da Ginástica Acrobática já no período de gestão da atual direção. De resto não houve alterações significativas até às últimas versões em vigor (abril de 2015 para os Estatutos e janeiro de 2018 para o regulamento eleitoral). A quem interessar pode solicitar-me o histórico da evolução destes dois Regulamentos fundamentais para qualquer federação desportiva.

Há algumas pessoas que desvalorizam a importância da função reguladora na Ginástica que é uma competência estatutária exclusiva da Direção, apelidando-a muitas vezes de "burocracia". Espero que com a leitura do presente texto, quem a ele aceder de boa fé perceba que não é assim.

Começo por referir um documento no qual foram introduzidos pequenos ajustes e que apesar de já existir anteriormente com um nome semelhante, foi dado um conteúdo completamente diferente. Refiro-me ao Regulamento Geral e de Competições, onde se especifica a estrutura orgânica da FGP e as missões de cada unidade assim como as regras chave para as competições nacionais. A primeira versão foi publicada em junho de 2012, cerca de 5 meses após a tomada de posse da atual direção. Anteriormente apenas existia um "Regulamento Geral" que tinha sido publicado em 30/11/2007.

Continuo referindo outro regulamento, publicado também em junho de 2012 e que era até à data inexistente. Refiro-me ao Regulamento de Publicidade, ferramenta muito importante para o relacionamento com os nossos potenciais e atuais patrocinadores e para os coorganizadores de competições com a FGP.

Um dos regulamentos de que nos sentimos mais orgulhosos e que também era inexistente à data do início de funções da atual Direção é o Regulamento de Bolsas, prémios e apoios cuja primeira versão foi publicada em dezembro de 2012, que incialmente apenas contemplava  as disciplinas do programa dos Jogos Olímpicos de verão e que, a partir da sua versão de setembro de 2019 passou a contemplar todas as disciplinas competitivas. Só para nos situarmos o tempo, antes de 2012 apenas existia um sistema de bolsas para a Ginástica Artística Masculina, e tanto quanto sei, nos tempos da FPTDA existiria um sistema de prémios para a ginástica de Trampolins e Ginástica Acrobática. Quando foi efetuada a reintegração dessas disciplinas na FGP, em 2011, tal sistema desapareceu, até ser criado o Regulamento aqui citado, tendo sido, cremos um instrumento poderoso para a ajuda a carreiras duais, prolongando assim a longevidade d@s noss@s ginastas.

Outro Regualmento criado pela atual Direção foi o Regulamento para a atribuição de Galardões, Títulos e Prémios, publicado pela primeira vez em abril de 2012, corespondente a disposições estatutárias e do Regulamento Geral que nunca tinham sido regualmentadas. Tem sido possível, através deste Regulamento premiar e reconhecer, de uma forma regular e com toda a transparência, o mérito de agentes deportivos e outros indivíduos e instituições com relevência acrescida para o desenvolvimento da Ginástica.

Porque este texto já vai longo, termino com aquela que é a peça regulamentar mais recente do portfólio da FGP, da qual eu e a Direção muito os orgulhamos, que correspondeu a um período de reflexão e iniciativas que durou mais de um ano e que é o Código de Ética, que viu a luz em outubro de 2019 e que veio na sequência da Direção ter colocado a defesa da ética na Ginástica no centro da sua ação a partir do início do ano de 2018. Foram criados o Compromisso Nacional contra o abuso e o assédio na Ginástica e o Compromisso Nacional para a Transparência e Integridade nos Eventos Desportivos de Ginástica. Tais documentos surgiram na sequência de trabalho desenvolvido com o Comité Olímpico de Portugal, o Instituto Português do Desporto e da Juventude e outras organizações nacionais e internacionais e atingiu a maturidade no final de 2019 com a organização do Seminário Internacional contra a Violência na Ginástica, realizado em Cascais e o respetivo Seminário Nacional no Porto, tendo sido lançadas as linhas sosginasta@gympor.com e sostreinador@gympor.com, que recebem e encaminham denúncias ou quexas relacionadas com a proteção dos direitos de ginastas e treinadores em contexto de treino e competição desportiva.

Muito mais haveria a relatar e informar no capítulo da atividade reguladora da FGP, mas para já boas leituras desta parte. Talvez volte a este assunto mais tarde.

Para já não vos maço mais.

Até breve.






 

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Antes, durante e depois


Quando em 2011 iniciei, com um conjunto alargado de pessoas, um processo de reflexão sobre a Ginástica portuguesa na sequência do colapso da Direção da altura e consequente marcação de eleições antecipadas ficou claro que, embora parecesse que o que se iria passar era uma eleição com apenas uma candidatura, o que se veio a confirmar, tínhamos o dever de nos apresentarmos com um projeto resultante de um debate amplo com a comunidade gímnica e que esse projeto presidisse sempre ao exercício da gestão da Federação de Ginástica de Portugal como um elemento de escrutínio sobre interno e externo.

Passados quase nove anos de exercício, com três eleições disputadas, é com orgulho que olhando para trás posso dizer que os compromissos principais que estabelecemos foram cumpridos:

  • Regular a atividade gímnica;
  • Sanar financeiramente a FGP que se encontrava numa situação muito difícil;
  • Fazer crescer a modalidade;
  • Dar maior visibilidade nacional e internacional à modalidade.

Sobre estes aspetos e muitos outros escreverei detalhadamente no futuro. Para já gostaria de enunciar, porque os projetos e as ações não são anónimas, os (as) protagonistas que desempenharam um papel fundamental  nesta profunda mudança na Ginástica portuguesa.

Começando pela Direção atual que, para além do subscritor inclui o Álvaro Sousa, a Ana Paula Almeida, o Bruno de Jesus, o Luís Arrais, o Ricardo Antunes (que suspendeu o seu mandato em março), o Rogério Valério, a Teresa Loureiro e o Virgílio Almeida.

Ao longo dos mandatos passaram também pela Direção o Carlos Costa, o José Carlos Serrano, o Luís Caetano, o Paulo Aparício e o Pedro Sousa.

Durante estes cerca de nove anos foram realizadas cerca de 180 reuniões de Direção sempre num clima de total abertura e livre discussão de ideias, num exercício democrático de gestão, de solidariedade e coesão institucional que sempre foi a nossa imagem de marca nestes durante este ciclo de gestão.

A Ginástica muito tem a agradecer a todas estas pessoas que sempre deram o seu melhor, muitas vezes com sacrifício da sua vida pessoal e profissional, para ajudarem a Ginástica a se tornar mais forte. E tornou!

Não são, naturalmente, os únicos merecedores de louvor. Muitos outros membros dos órgãos sociais da FGP e muitos técnicos tiveram e têm um papel crucial em toda a ação que a FGP desenvolveu ao longo destes anos e que continuará a desenvolver.

Erros também os houve, que só quem nada faz não erra, mas no geral não pode ter havido assim tantos considerando aquilo que os factos nos mostram.

Do papel dessas pessoas e dos factos que suportam o que acima afirmo darei a devida nota em textos subsequentes.

Termino recordando os lemas que adotámos ao longo destes ciclos.

Começámos com "Um novo olhar sobre a Ginástica" em 2012, lema que mentivémos em 2013 e terminámos com "Somos Todos Ginástica" em 2016.

Os projetos de gestão são públicos e estão publicados no sítio Internet da FGP, mas para quem eventualmente não conheça podem a estes aceder através das hiperligações acima.

Em dezembro deste ano haverá, como é sabido, eleições para os órgãos sociais da FGP. Desejo aos candidatos que se apresentarem uma campanha cordata, honesta, com debate, e a quem ganhar muita energia e sorte, sendo a sua sorte, naturalmente, a da Ginástica.

Deixo também um desafio: subam a fasquia! Não se comprometam com eleitoralismos nem facilitismos. Pensem sempre, em primeiro e último lugar, na Ginástica!

Boas leituras!

domingo, 10 de maio de 2020

A insustentável precariedade do desconfinamento


Só os mais distraídos pensariam que desconfinar seria tão fácil como confinar.


Confinar foi fácil. O medo é um excelente aliado de quem se propõe convencer os outros de que ficar em casa é a atitude mais adequada. E, portanto, cá como lá fora, as pessoas ficaram em casa. E, no geral, fizeram bem. É verdade que às vezes o fizeram sem qualquer espécie de racionalidade. Por exemplo: dar um passeio higiénico às 08h00 quando ninguém está na rua, alguma vez foi um comportamento de risco, pondo em causa a saúde própria ou dos outros? Quer se seja novo ou velho lesto ou trôpego? Está se vendo com facilidade que não. A malta cumpriu e ficou em casa. Nem todos, é verdade, mas a esmagadora maioria. Resultado: os ecrãs passaram a ser o centro da nossa convivialidade; os velhos deprimiram; a economia definhou; a miséria grassou.

No momento em que se começa a "desconfinar" surgem todo o tipo de reações. Os que cairam na miséria buscam um último fôlego que lhes permita retomar uma dignidade perdida; a ânsia de ar livre levou as pessoas ao cheiro do mar, do campo; a resistência ao regresso de uma rotina mais sofrida contra o cómodo trabalho no lar; um pesado sentimento coletivo de incertezas do que nos espera tomou conta de todos e cada um num frenesi de regras a cumprir, precauções a tomar, o receio do já famoso "novo normal" que ninguém sabe verdadeiramente o que vai ser.

Que identidade vamos descobrir na retoma das nossas atividades? Que formas de estar com outros, de respeitar (ou não) os outros, que prazeres vamos reencontrar ou descobrir? Que hábitos ganhar ou perder? Não sei!

Ao observar a forma como vai sendo feito o "desconfinamento" noto dois grandes sentimentos coletivos: receio e resposabilidade. Se concordo com a forma como isto está a ser feito? No essencial sim. Se há mensagens contraditórias que estão a ser dadas? Seguramente! E essas contradições poderão ter graves consequências no futuro? Estou convicto que sim e esperançado que não.

Dois exemplos: A partir do dia 18 de maio os restaurante voltarão a abrir com restrições obviamente necessárias, os supermercados sempre estiveram abertos porque precisamos de comer, Claro! Mas a atividade desportiva ao ar livre passou a ser permitida (que conceito mais estranho) em grupos de, no máximo cinco pessoas quando supervisionada, e duas pessoas sem supervisão. As creches vão reabrir, os cabeleireiros já reabriram, as lojas até 200m2 também mas a prática desportiva nos clubes e ginásios em instalações muito mais bem apetrechadas na sua esmagadora maioria, para lidar com o distanciamento social e as necessárias normas de higiene nem sequer mereceram até agora menção oficial.

Mensagens que passam: é mais perigoso praticar exercício físico ou atividade desportiva ao ar livre do que ir para dentro de um hipermercado; é mais perigoso praticar exercício físico ou atividade desportiva num clube ou ginásio do que ir a um restaurante ou a um cabeleireiro.

Será? Não me parece que, para além da evidência técnica e científica, até o simples bom senso resista a essa tese!

E continuam fechados (trancados!) muitos jardins e espaços (amplos) de lazer propriedade das Câmaras Municipais. Em nome de quê? Da saúde pública? Ora... do medo. Unica e exclusivamente reféns do medo!


Quem perde? Todos!

domingo, 3 de maio de 2020

Máscaras




O uso de máscara é desde há muito tempo cultural em muitos países do Oriente.

Para nós, no Ocidente, e particularmente em Portugal é um costume que não nos pertencia até chegar a COVID-19.

Primeiro não adiantava de nada. "Até podia dar uma falsa sensação de segurança"

Depois, pouco a pouco, pé ante pé, chegou-se ao dia de hoje em que o uso de máscara passa a ser obrigatório em espaços fechados, designadamente estabelecimentos comerciais e transportes públicos.

Ontem, recebi um SMS de uma grande superfície comercial informando que a partir de hoje só posso entrar no estabalecimento de máscara. Ou seja. Tenho duas opções: levo máscara e entro e compro, ou não levo e não entro. (Devo dizer que isso para mim já não é um transtorno há cerca de um mês e meio).

Nos transportes públicos, por seu lado, se alguém não cumprir pode ter que pagar uma multa entre 120€ e 350€.

Isto deixa-me confuso. Será que a razão da obrigatoriedade de uso de máscaras não tem que ver com a proteção de si próprio e dos outros em relação à COVID-19?

Será que ouvi mal ou esta é uma doença que, apesar de na maioria dos casos não ter sintomas ou estes serem ligeiros, pode matar?

Então que quer dizer pode ter que pagar uma multa? quando é tem que pagar e quando é que não paga? Quem decide?

Por outro lado, numa matéria em que uso da máscara ou não, no limite, pode ter como consequência a minha morte ou de alguém a quem eu possa infetar, aplica-se uma multa? Não se veda o acesso sem máscara?

Poderíamos no limite dizer aqui que o valor da vida nos dias de hoje pode  ser entre 120€ e 350€? E pode ser 0€?

Fiquei a pensar...

sábado, 2 de maio de 2020

Confederação do quê do quê???


No passado dia 23 de abril, a Confederação do Desporto de Portugal promoveu uma reunião por videoconferência para a qual convidou todas as federações desportivas, destinada a analisar a situação atual do Desporto em Portugal em tempos de pandemia COVID-19. Muito bem! Foi preciso uma pandemia!

Mas... pensaram todos ou quase todos. Às vezes há males que vêm por bem e mais vale tarde que nunca.

Para essa reunião a CDP levou um extenso caderno reinvidicativo que colocou à consideração das mais de 40 federações presentes e que recebeu sem exceção ampla aprovação e até, nalguns casos, unanimidade.

Desse caderno reinvidicativo constavam tanto reinvidicações relativas ao impacto da COVID-19, como reinvidicações mais antigas sem nenhuma ligação com a situação atual. Desse caderno não fazia parte aquele que é um dos escândalos do financiamento público ao Desporto que é a distribuição dos proveitos das apostas desportivas online, tendo um leque muito significativo de federações presentes referido que este seria o momento ideal para dar equidade a essa distribuição promovendo assim maior justiça e uma afirmação de solidariedade que se impõe. 

Para além disso várias federações referiram que a extensão do caderno reinvidicativo poderia ser a sua maior fraqueza uma vez que a dispersão de assuntos não favorecia o foco na apreciação de algumas medidas prementes no tempo que vivemos e que poderiam ser assim prejudicadas na sua análise por parte do Governo.

Alguns dias mais tarde, no dia 28 de abril, foi realizada uma reunião entre o Primeiro Ministro, o Presidente da Confederação do Desporto de Portugal, o Presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) e o Presidente do Comité Paralímpico de Portugal (CPP) para análise situação atual do Desporto e desenho de medidas (?)

Do caderno reinvidicativo que a CDP levou a essa reunião nem uma palavra.

Nos dias seguintes, o COP e o CPP enviaram a todas as federações documentos com informações sobre o decorrer da reunião e das propostas apresentadas.

Da parte da CDP um comunicado lacónico no sítio Internet onde se afirma que o Presidente da CDP "teve a oportunidade de cooperar e contribuir para a criação de estratégias que visem a retoma da atividade desportiva em Portugal". Sem mais!


Sem grandes explicações, com total ausência de identificação dos problemas levantados ou das soluções propostas!

Desconhece-se se a CDP abordou o tema da distribuição dos proveitos das apostas desportivas online, sendo que sabemos que o Comité Olímpico de Portugal e o Comité Paralímpico de Portugal o fizeram.

A conclusão lógica é de que a denominada CDP, para tristeza e prejuízo do Desporto português, neste momento simplesmente não existe, e de que a reunião promovida no dia 23 não foi mais do que um elemento de folclore com uma coreografia titubeante, que maior desígnio não teve do que, mais uma vez, atirar areia para os olhos das federações. Mais uma vez!

Portanto estamos a falar da Confederação do quê do quê?

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Às tantas é! Pois é!




Após uma longa ausência deste espaço, não sei se por estarmos mais por casa, se porquê, apeteceu-me outra vez escrever umas coisas (parvoíces dirão alguns).

Após várias semanas de trabalho em casa com muita informação e desinformação a ser despejada nos nossos ecrãs de televisão e nos nossos computadores, veio-me à memória uma palavra que gosto de utilizar de vez em quando: "despautério".

Sim, não é um erro ortográfico. Despautério é o que melhor caracteriza a pronta língua afiada (ou teclado afiado) que aqueles que tudo sabem (ou julgam saber, que é pior), mas provavelmente nunca tiveram que tomar uma decisão difícil na vida, com verdadeiro impacto nos outros, e vai de criticar a torto e a direito a Srª Diretora Geral da Saúde, a Srª Ministra da Saúde e outros que todos os dias (repito todos os dias) procuram dar o seu máximo levando o melhor possível o combate a este inimigo invisível.

Não conheço pessoalmente as senhoras nem nenhum dos outros responsáveis.

Não penso que só porque estamos numa grave crise sanitária e, acrescentaria económica, por arrasto humanitária, devamos ser acríticos ou baixar patamares de exigência. Nada disso. A crítica construtiva é e sempre será motor de progresso das sociedades, e o escrutínio é a única forma de regular o poder, mas ó santa paciência, criticar por criticar, às vezes com referências pessoais que roçam a má educação, partindo de pressupostos fundamentalmente errados ou de sapiência de algibeira encontrada num qualquer sítio Internet em português europeu ou não europeu, distorcer intencionalmente o que as pessoas dizem, pôr na boca dos outros palavras que não foram ditas, apesar de não ser inédito no nosso país (e noutros) é, neste momento, uma grandecíssima falta de respeito não apenas em relação aos visados, mas a todos nós.

E cola! Cola porque infelizmente há muita gente que vai "a reboque". E reproduz. E amplifica. Sem compreenderem que provocam nas pessoas que lhes deviam interessar uma enorme vergonha alheia.

Da minha parte imagino a atroz pressão que quem governa está a sentir neste momento e acredito genuinamente que, perante uma situação para a qual nenhum país estava preparado, quem tem que decidir está a fazê-lo o melhor que pode e sabe. Com erros às vezes? Talvez. E?.... Seria possível ser de outra forma?

Tenham juizinho. Informem-se. Leiam. Não passem o dia no facebook a dizer mal. De vez em quando podem ver uma série na Netflix, vá! Façam exercício físico.

É ou não é um bom conselho? às tantas é! Pois é!

Mantenham-se em segurança e ativos (as).