segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Histórias (Campanha orquestrada) - A verdadeira história de Rebaldino Pires

Histórias (Campanha Orquestrada)

Salada de frutas
Se cá nevasse... - 1981
Letra - ? Guilherme Inês, Mário Zambujal ou Ana Bola (se alguém souber diga!)
Fonte - http://fora-de-cena.blogs.sapo.pt/140888.html (com algumas correções minhas)

Esta é a verdadeira história de Rebalbino Pires.
 
O honestíssimo vadio ancorado nas Portas de Santo Antão, mas batendo a outras portas e respeitador de todos os santos.
 
Navegando de mulher para mulher... as filhas mais do qu'as mães!
 
Crucificado pela justiça e pela opinião pública.
 
Como já tinha acontecido ao próprio Nosso Senhor. Ah! 
 
Foi Rebalbino atleta e ganhou a maratona, com duas horas de avanço, por ter cortado a meta repimpado na Ramona. E acusado de gamanço.
 
Mentira. Pura mentira!
 
Se gamou os sapatos aos outros atletas foi para salvar o turismo de pé descalço, pá. Tudo o mais é boca, é bera, é falso!  Nunca apareceu às faces da terra. É que nem à face “A” nem à Face “B”!
 
Gajo tão sério e pachola, amigo dos putos e delas..., ele era o chefe de fila, para muito puto reguila mestre melhor não havia. Montou escola, de sobrinhos... ensinou-lhes os caminhos, que vão às casas das tias!
 
Mentira, redonda mentira!
 
Nunca Rebalbino Pires cavalheiro impec e aprumado desmoralizou a moral ou os costumes a que se tinha acostumado! Quando andou no contrabando, tinha um bando contratado. Contra fé e contra a guarda contra cima e contrabaixo! Contra regra e contramão até que vem uma farda que o enfarda na prisão.
 
Mentira, bruta injustiça!
 
Tudo contrabando. Nada a favor de bando. Sempre foi um sereno de um cidadão, cumpridor de leis e de mandamentos mandados inclusive de portarias municipais e outras portarias que tais. Impostos em dia, facultativos, à noite, eh...! ah...!
 
Mas numa noite de porrada na tasca do Bairro Alto é que perdeu a cabeça ao mandar a cabeçada num artolas encartado que foi parar à travessa. Levou só quatro pontos porque era a Travessa do Cosido.
 
Mas é tudo mentira, pura invenção!
 
Vejam o seu certificado do registo criminal, passado por ele sem ajudas de ninguém. Impecável! Bestiali!
 
Lá vem: o seu único crime foi falsificar o registo criminali!!??
 
Mas olha aí. Mais que permite a força humana... tinha oitenta e uma amantes, umas vinte por semana, sem vozes reclamantes. Tinha oitenta e uma amantes, uma delas ciumenta! Que veio a saber das oitenta. Soprou o pêlo da venta. Sacou a faca da liga.
 
E o homem deu aos calcantes. Que nunca foi homem de brigas.
 
Mentira, outra mentira. Rebalbino Pires, honrado português de lei, não anda a monte de amante, nunca fugiu à polícia, nem sequer foge da chuva. Nem para lavar a reputação, exige reparação.
 
Depois de tanta patranha.
 
Tanta mentira malvada.
 
Agora é que são elas.
 
E aqui está esta campanha devidamente orquestrada.
 
É assim mesmo!
 
E agora rapazes, para a frente.
 
Para a frente, o quê?
 
Para a frente com o resto, pá, em honra do gajo, pá.
OOOOOH TO MY NIGHT SOLIDÃO.
 
WELCOME TO MY NIGHT SOLIDÃO.
 
Rebalbino, senhores ouvintes estivemos a ouvir a história de Rebalbino Pires, um exclusivo das frutas WELCOME.

Pode ouvir a canção aqui - https://youtu.be/m5Ubv7v9LhI

 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

ONU

Ando já há algum tempo para escrever sobre a eleição de António Guterres para Secretário-Geral da ONU mas de facto tem-me faltado o tempo e o foco para o fazer.
Encontrei ambos hoje e começo por afirmar que considero este processo ao mesmo tempo exemplar e inspirador. Sempre que me lembro dos seus contornos dou por mim a sorrir de satisfação e orgulho.

Orgulho, porque, de facto esta foi uma inequívoca afirmação nacional contra, a partir de determinado ponto, a vontade de nações bem mais poderosas.

Satisfação porque, por uma vez, ganhou o mérito e a competência. Não apenas do candidato Engº António Guterres, homem com créditos firmados, características pessoais adequadas ao cargo, um longo trabalho na organização e conhecimentos profundos da mesma, mas também de um conjunto significativo de pessoas e estruturas que contribuíram de uma forma decisiva para este triunfo. Presidente da República, Governo de Portugal e estruturas diplomáticas foram as que mais evidentemente se destacaram.

Portugal era no nos séculos XVI, XVII, XVIII uma nação muito relevante a nível mundial. Após o rude golpe de 1755 com a destruição de imensas estruturas políticas, comerciais, culturais e económicas provocada pelo malvado terramoto e respetivo tsunami, tem sido difícil voltar a afirmar Portugal como uma nação importante para o mundo e recuperar esse esplendor, apesar de terem passado já mais de 250 anos sobre esse desastre da nossa História.

Este processo provou que é possível afirmarmo-nos quando trabalhamos de uma forma articulada, competente, séria, nos tempos certos, sem compromissos fáceis nem demagogias e, a mim, perdoem-me se estou a ser exagerado, deu-me esperança! Quando nos conseguirmos livrar de alguns "tiques" que nos colaram a uma imagem terceiro-mundista tenho a certeza que sucessos como esta eleição para ONU serão, não uma exceção, mas sim uma regra.

Força Portugal

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Já se viu

Já se viu no que deu...

As eleições para a presidência dos EUA!

Este deve ser um dos únicos casos no mundo em que se espera que as promessas eleitorais não sejam cumpridas!

A ver...

A ver no que dá...

As eleições para a presidência dos EUA!

Dá medo que a maior potência mundial seja governada por um aparente sociopata.
 
Mas, para já, a "coisa" está muito equilibrada.
 
É ao mesmo tempo fascinante e assustador observar o que a ditadura das redes sociais e da comunicação social podem fazer à racionalidade do ser humano. É certo que do outro lado também não houve grande ajuda mas, mesmo assim, é assustador perceber quão facilmente as massas são manipuladas quando lhes falam ao umbigo. Já vimos isto na História da humanidade nos anos trinta do século XX.
 
A ver...
 
Esperança mantém-se!
 
 

sábado, 29 de outubro de 2016

Viver com coerência




Há quem diga: Oh pá! Isso da coerência tem muito que se lhe diga.
 
  • Muito que se lhe diga? Então?
  • Oh pá! então uma pessoa não tem o direito de mudar de opinião?
  • Pois! Se achares que a coerência é uma questão de opinião, então está tudo resolvido. Realmente essa coisa da coerência está muito sobrevalorizada, não é?
 
Esta conversa, por surreal que possa parecer a alguns é, de facto, real. Nas sociedades atuais a manutenção de uma atitude considerada como coerente no domínio dos princípios e doa ideais, deixou de ser, para muitos, algo que mereça especial atenção.
 
E pergunta-se em seguida qual a relevância dessa constatação? Eventualmente é apenas um sinal dos tempos. Uma característica moderna que nos convém integrar na nossa forma de viver.
 
Honestamente, não tenho uma opinião completamente formada sobre o assunto mas vejo mais perigos do que vantagens neste abordagem "moderna".
 
Se calhar vale a pena determo-nos um pouco sobre o significado do termo "coerência"
 
Embora geralmente associemos a coerência na vida aos princípios pelos quais nos regemos, a verdade é que o significado formal de coerência está muito mais ligado à pura lógica, ao efeito causal ou dependência ente dois ou mais factos ou ideias, do que ao plano dos ideais. 
 
Portanto, a coerência, no sentido estrito, tem muito mais que ver com a resolução de problemas ou a satisfação de interesses pessoais ou coletivos, do que com a fidelidade a ideais ou a princípios. Esta abordagem é útil para que possamos sempre integrar, num determinado momento, o presente, compreendendo o passado e perspetivando o futuro, independentemente dos juízos de valor subjetivos que possam sobrevir relativamente ao curso da História. E, sobretudo, faz-nos usar ou perceber o uso do termo "coerência" de uma forma diferente. Acho eu... 
 
 
 
 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Futuro

Estamos em altura disso.
 
Ocupando neste momento o cargo de Presidente da Federação de Ginástica de Portugal e estando a aproximar-se o período eleitoral nos próximos dois meses, importava tomar uma decisão sobre o futuro.
 
Efetuada uma análise cuidada individual e coletiva sobre o trabalho desenvolvido nos últimos cinco anos e do que poderia ser uma ação futura decidi (decidimos) construir um projeto e montar uma equipa para a gestão da FGP no ciclo 2017-2020.
 
O sucesso da gestão da FGP nestes últimos quatro anos não se deve, naturalmente, apenas à gestão da FGP e aos seus colaboradores. Os verdadeiros atores desta mudança para melhor que se operou na Ginástica portuguesa são todos os agentes desportivos (ginastas, treinadores, juízes, dirigentes, clubes, Associações Territoriais) que, uma atitude de abnegado sacrifício em momentos muito difíceis, de verdadeira dedicação a esta nossa modalidade se empenharam, se estruturaram, dinamizaram, foram criativos e "tocaram" a Ginástica para a frente. A todos o nosso agradecimento e a segurança de que o futuro poderá ser ainda muito melhor. Compete-nos tentar continuar a criar as condições para que os agentes gímnicos e a sociedade portuguesa de um modo geral tenha a confiança necessária para investir cada vez mais na Ginástica.
 
Caso mereçamos a confiança da Assembleia Geral da FGP para a prossecução deste desígnio estamos certos de que criaremos neste ciclo olímpico uma realidade melhor para a Ginástica, na sequência do que fizemos nos quatro anos anteriores e "entregaremos", em 2020, a condução dos destinos da Ginástica a quem se apresentar nessa altura, em condições de desenvolvimento e solvência verdadeiramente estimulantes.
 
Brevemente daremos conta de quem somos e do que nos propomos fazer com a consciência plena que estes últimos anos, tendo sido muito difíceis, abriram a janela de um próximo ciclo olímpico em pleno crescimento e fortalecimento da Ginástica, assim os passos corretos sejam dados. Como somos construtores e não destruidores, achamos que temos o dever de nos apresentarmos com a coerência e seriedade de sempre.
 
Olhando para trás, verifica-se que, nestes últimos quatro anos:
 


·       A dívida da FGP diminuiu significativamente;

·   Foi operada uma modernização administrativa que já era urgente e necessária há vários anos;
·   A Ginástica cresceu (somos muitos mais clubes, ginastas e demais agentes desportivos);
·   A visibilidade da Ginástica nos órgãos de comunicação social aumentou drasticamente
·  O conjunto dos resultados desportivos foi o melhor de sempre;
·   Nunca Portugal tinha sido palco com regularidade de um conjunto tão grande de eventos internacionais de grande relevo.
A GINÁSTICA PORTUGUESA FICOU MAIS FORTE

 
Olhando para o futuro, caso mereçamos a confiança dos eleitores, nos próximos quatro anos lutaremos pelo seguinte:
 
 
·      Implantação de uma sala especializada vocacionada para disciplinas olímpicas na região de Lisboa;
·   Aumentar o número de treinadores profissionais de Ginástica;
·  Aprofundar a implementação de mecanismos de decisão participada;
·  Contribuir para o fortalecimento das Associações Territoriais e a marca “Ginástica” a nível nacional;
·   Apoiar e motivar todos os envolvidos em funções de ajuizamento;
·  Estabelecer com criatividade laços de interação com o sistema educativo, designadamente o Desporto Escolar;
·  Criação do “SIMPLEX” administrativo da Ginástica
 
O nosso desejo é que o processo eleitoral decorra com verdadeira discussão de ideias sobre o desenvolvimento da Ginástica exequíveis e promotoras da continuação da afirmação da força da Ginástica que se verificou nestes últimos quatro anos.
 
Voltarei brevemente a este espaço com este tema. Até lá estou disponível para esclarecer eventuais dúvidas que alguém possa ter em relação ao acima exposto.

domingo, 25 de setembro de 2016

Jogos Para(O)límpicos

Uma semana volvida sobre o encerramento dos Jogos Para(O)límpicos do Rio de Janeiro, partilho neste espaço uma inquietação que me assaltou já há muito tempo mas que até agora tem permanecido como um sentimento passivo.
Em primeiro lugar um pequeno esclarecimento: utilizo neste texto a palavra(?) Para(O)límpico por refletir o meu desacordo em relação ao termo Paralímpico, designação adotada pelo Comité Português contra a razão etimológica, que foi em devido momento alvo de parecer por linguistas em Portugal e rejeitada por razões que desconheço. Parece ser mais um caso em que a osmose linguistica parece ser mais fácil do que a preservação da língua portuguesa.
Voltando ao assunto deste texto, a minha inquietação é a estranheza por a Ginástica não fazer parte do programa Para(O)límpico.
Se olharmos para o programa dos Jogos Olímpicos de Verão verificamos que tem (sempre teve) três pilares que, para além de razões culturais e pedagógicas têm visto esse "estatuto" recorrentemente confirmado pelos barómetros modernos. As audiências televisivas e o impacto económico das modalidades. Refiro-me, como é sabido ao Atletismo, à Natação e à Ginástica.
Como também é sabido o Atletismo e a Natação são, também no contexto dos Jogos Para(O)límpicos as modalidades mais importantes e a Ginástica é inexistente.
Porquê? A única explicação que encontro é a de que a Ginástica não tem feito o suficiente para ser inclusiva.
Apesar de, em vários países incluindo Portugal, haver promoção de programas destinados a portadores de deficiência, não existem, tanto quanto saiba, com a exceção da deficiência mental que, como é sabido esteve arredada dos Jogos Para(O)límpicos cerca de vinte anos após os escândalos de Atlanta '96, programas padronizados a nível mundial para outros tipos de deficiência.
Então poderemos ter aqui uma razão mais do que objetiva para a não presença da Ginástica. Poderá haver outras, sem dúvida mas, provavelmente esta condicionante é decisiva.
O que fazer? Obviamente criar esses programas e procurar afirmá-los progressivamente até que seja impossível manter a Ginástica fora dos Jogos Para(O)límpicos.
A Ginástica portuguesa e designadamente a Federação de Ginástica de Portugal está disponível para fazer a sua parte e brevemente ampliará os programas que atualmente dinamiza, criando novas soluções para deficiências físicas, tentando motivar os clubes a abrirem espaço para a participação desportiva de pessoas com tais características.
Estou certo de que no dia em que a Ginástica for incluída no programa dos Jogos Para(O)límpicos o evento vai ter uma valorização extrema ao ponto da modalidade se tornar rainha nessa competição.
O que me leva a tal afirmação são os vários exemplos que existem nalguns países, de competições inclusivas a pessoas portadoras de deficiência que apresentam um grau de espetacularidade tão grande como o da Ginástica tradicional.
Até esse objetivo ser atingido é preciso alertar consciências e criar as oportunidades com determinação e perseverança.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Medalhas?

A valorização absoluta da medalha independentemente do seu valor relativo ou do valor relativo de outras posições na classificação de uma competição é desde sempre em Portugal algo com que temos convivido.
 
A independência dessa valorização absoluta de uma análise contextual do fenómeno desportivo é ainda mais gritante ao ponto de haver uma total ausência de pensamento estratégico relativo ao Desporto complacentemente aceite pela maior parte dos intervenientes no sistema desportivo já para não falar da massa de aficionados não praticantes ou dos comentadores (também eles raramente praticantes) do fenómeno desportivo.
 
Este estado de coisas radica num atraso cultural em tudo o que se refere ao Desporto, em comparação com a esmagadora maioria (todos?) dos outros países europeus, só para falar do nosso continente.
 
Então, quais são as características basilares do nosso "sistema" desportivo, se é que se pode chamar "sistema" a algo que não funciona?
 
  • Desvalorização progressiva da Educação Física e do Desporto Escolar no seio do ensino básico e secundário (nos últimos anos o ataque à Educação física e ao Desporto foi provavelmente o maior de todos os tempos havendo que suportar inevitavelmente consequências negativas num futuro próximo);
  • Ausência quase total de integração ente o Desporto Escolar e o sistema federado (as exceções existentes assentam em projetos das federações que o Desporto Escolar tolera);
  • Ausência de ensino articulado do Desporto em contradição com o que acontece com o ensino da Música e da Dança;
  • Enormes dificuldades do sistema educativo (com graus diferentes dependendo dos estabelecimentos de ensino e das zonas do país) em responder positivamente às disposições legais de proteção aos atletas de Alto Rendimento, havendo adicionalmente, muitas vezes, desconhecimento de tais disposições legais e, noutras, resistências adicionais que em meu entender têm que ver com a já acima referida falta de cultura desportiva global no nosso país. Essa deficiência cultural revela-se ainda com uma particular acuidade no ensino superior com obstáculos levantados a atletas de Alto Rendimento numa fase da sua carreira em que é necessária uma dedicação especial para atingir rendimentos desportivos maximais;
  • Ausência de um real enquadramento (dificuldades levantadas por estabelecimentos de ensino superior e entidades patronais) favorável à manutenção de carreiras duais por períodos de tempo suficientemente longos;
  • Ausência ou número insuficiente de instalações desportivas especializadas adequadas em determinadas (muitas) modalidades desportivas;
  • Investimento público (Orçamento do Estado para a atividade desportiva) muito insuficiente não só para a realidade atual se tomarmos em linha de conta o valor económico do Desporto, mas sobretudo numa perspetiva de desenvolvimento desportivo que se deveria constituir uma prioridade nacional. Essa insuficiência revela-se não só na questão das infraestruturas desportivas especializadas como na capacidade em recrutar treinadores em quantidade e qualidade suficientes e a montagem de processos de apoio a carreiras duais e situações pós-carreira (competir com sistemas altamente profissionalizados de uma forma amadora);
  • Abordagens diferentes para o investimento público relativo ao Alto Rendimento (controlado pelo Governo) e à preparação olímpica (controlado pelo comité Olímpico);
  • Dispersão de organismos reguladores da atividade desportiva (COP, CDP, CPP, IPDJ) e quase total falta de coordenação entre os poderes centrais e autárquicos, com efeitos devastadores na capacidade de ser iniciado um processo de pensamento estratégico de desenvolvimento desportivo;
  • Total ausência crónica de pensamento estratégico a médio e longo prazo para o desenvolvimento desportivo e para o Alto Rendimento.
Outras questões poderiam ser aqui inventariadas como as relacionadas com o acesso do Desporto à comunicação social, sistemas de apoio ao voluntariado desportivo ou o mecenato desportivo.
 
Então com este cenário não é uma falta de pudor falar (exigir por vezes) em medalhas? Claro que sim! aplicam-se aqui as célebres expressões populares de "começar a construir uma casa pelo telhado" ou "fazer omeletes em ovos".
 
Já vimos também que todos estes problemas assentam, sobretudo, num défice cultural impeditivo de encarar o Desporto como um setor de atividade fundamental que necessita de muito maior atenção e investimento, sabendo-se que as mudanças culturais são as mais difíceis e demoradas de operar. Uma coisa é certa! Nenhuma mudança acontecerá se não for iniciado o processo e confesso, neste momento, não há sinais de que o mesmo se tenha iniciado ou esteja prestes a começar.
 
Apesar do acima enunciado às vezes também ganhamos medalhas ou temos conjuntos de classificações (como foi o caso no Rio de Janeiro 2016) estranhamente bons para a realidade do nosso "sistema" desportivo. Como se explica isto?
 
É que todos os dias há instituições e pessoas ao serviço dessas instituições ou individualmente, a trabalhar em prol do desenvolvimento desportivo, dando tudo o que têm e que não têm, numa atitude de superação de todo o tipo de adversidades com a ajuda circunstancial de realidades pessoais/familiares, ou ao nível do clube/autarquia e outros âmbitos potenciadoras do sucesso desportivo. Às vezes, essas micro realidades com os astros todos alinhados, produzem resultados desportivos de exceção. Mas não nos enganemos! O que nunca produzirão é o aumento da cultura desportiva global em Portugal nem a produção de escolas desportivas nacionais de referência única forma de passarmos a ter um Desporto sustentadamente melhor e mais forte.
 
Estamos condenados? Acho que sim. Estamos condenados a encontrar, mais cedo ou mais tarde, o caminho que nos leve à superação destas dificuldades ancestrais. Não há outra forma. Por onde devemos começar? Talvez lutar por que quem manda no Desporto sejam pessoas do Desporto.
 
Até lá um pouco de contenção em relação a isso das medalhas. Não é esse o caminho!
 
 

Olimpíada

Agora que chegaram ao fim os Jogos Olímpicos da XXXI olimpíada Rio de Janeiro 2016, tenho para mim que nunca houve tanta confusão entre os termos "Jogos Olímpicos" e "Olimpíada".

De resto, a própria designação adotada pelo comité Organizador Rio 2016 ("olimpíada", "olimpíadas") ajudou à festa.
 
Se é bem verdade que os termos "olimpíada" e "olimpíadas" se encontram dicionarizados como sinónimos de "Jogos Olímpicos", de facto essa aceção, difícil de explicar, tem sido desde sempre a utilizada no Brasil, mas não em Portugal e no resto do mundo.
 
Mas o mais curioso foi observar a imediata apropriação por pessoas com os mais variados tipos de responsabilidades que, sem pestanejar, passaram a utilizar o termo "olimpíada" referindo-se aos Jogos Olímpicos por osmose do que os nossos irmãos brasileiros fazem. E quando algumas dessas pessoas foram jornalistas de Órgãos de Comunicação Social influentes claro está que essa osmose se processou a um ritmo muito mais acelerado.
 
Como resolver a contradição que surge em chamar "olimpíada" a um evento cujo nome oficial é "Jogos da XXXI olimpíada" no caso do Rio de Janeiro? Se são os Jogos da olimpíada (espaço de tempo entre duas edições dos Jogos Olímpicos) não são, com certeza, a olimpíada em si.
 
Não sou contra a evolução da Língua portuguesa. De resto, hoje em dia ninguém pensaria em defender, por exemplo que escrevamos farmácia com "ph" como se fez durante muito tempo, mas essa dita evolução tem que ter uma lógica, digo eu, caso contrário cai-se no risco da degeneração tal como tem acontecido com as línguas mais faladas no mundo (entre as quais o português se inclui como sabemos).
 
Acho que estas mutações linguísticas necessitam de ser objeto de um pouco mais de reflexão da parte de cada um de nós e também de uma política ativa de defesa da língua por parte do Estado que nos representa.
 
É por isso que sempre que posso faço a minha parte.
 
 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Sentimentos mistos

Ontem Portugal parou para ver o jogo da final do europeu de Futebol.

Portugal ganhou, finalmente! É a loucura! Um país vergado perante a grandiosidade do feito, numa atitude de catarse coletiva. "Somos" campeões!
Eu também vi e também vibrei, claro! E também me arrepiei e também senti orgulho. Pelo menos tão grande quanto o que tinha sentido no dia anterior e nesse mesmo dia com outras vitórias portuguesas em campeonatos da Europa.
Não sou dos que alinham em expressões de que o futebol seca tudo e que as outras modalidades não têm espaço, etc....
Acho que o futebol tem características únicas e não deve ser comparado com as outras modalidades no mesmo plano.
Na volta de França, os jogadores campeões da Europa, a equipa técnica e os dirigentes foram recebidos no Palácio de Belém pelo Sr. Presidente da República, o Sr. Primeiro Ministro e os líderes dos partidos políticos, entre outros. Receberam ainda uma condecoração do Estado.
Acho bem! É um bom exemplo da importância do futebol na nossa sociedade.
No mesmo fim-de-semana, Sara Moreira, Jéssica Augusto, Vanessa Fernandes, Marisa Barros, Dulce Félix e Patrícia Mamona, foram também campeãs da europa. Será que o Sr. Presidente da República vai aproveitar esta oportunidade para condecorar também estas atletas, ainda por cima todas do sexo feminino num país com tradicionais índices de prática desportiva baixos?
E será que ainda vai aproveitar para condecorar todos os outros campeões da Europa e do Mundo que já o foram este ano levantando bem alto a bandeira portuguesa em mastros e ecrãs por esse mundo fora?
Seria um sinal dado, sem dúvida, na direção certa já que, a assim não ser, se tratará objetivamente de forma diferente cidadãos portugueses que alcançaram títulos neste caso europeus, embora nalguns casos sejam inclusivamente, mundiais.
Seria, digo eu, um sinal dado na direção contrária à do desenvolvimento desportivo. Será correto que um Presidente da República o faça? Será que custa muito dar um pequeno sinal de que o Desporto globalmente é importante na nossa sociedade?
Estou confiante de que o Sr. Presidente da República terá já pensado nisto.

terça-feira, 3 de maio de 2016

De fato

Fui de fato ao almoço enquadrado no "abraço olímpico" promovido pelo Comité Olímpico de Portugal a bordo do navio-escola Sagres que, para nós, portugueses já era o mais belo navio-escola do mundo, mas que obteve reconhecimento internacional desse estatuto há poucas semanas. Orgulho de ser português!
 
E fui de fato, porque  de facto costumo ir de fato a esse tipo de cerimónias. Eu, e os demais convivas, com raras exceções que, no contacto próximo não são exceções (excepções?) mas sim a norma de pessoas envolvidas no fenómeno que as ali levou.
 
Posto isto, importa realçar que o nosso Presidente da República, que tem surpreendido por muitas razões, a maior parte das quais pela positiva, decidiu colocar na agenda o reavivar da discussão sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa que, como é sabido, foi aprovado por todos os países da CPLP, mas apenas levado à prática (ainda) por quatro, a saber: Brasil, Cabo Verde, Portugal e São Tomé e Príncipe.
 
Isso é o que dizem os "Decretos". Na prática o que o Povo entende é que o referido Acordo foi transposto para a prática apenas por um país. Aceitam-se apostas... Sim! Portugal! O melhor aluno do Mundo!
 
De qualquer forma a atitude do nosso Presidente da República em colocar na agenda política o tema é muito do meu agrado pessoal (assim como o foi o facto de ter parabenizado pessoalmente campeões iniciados e juvenis de Ginástica). Não o fez com Juniores e Seniores mas não se pode querer tudo de uma vez. A seu tempo o fará!
 
Este reagendamento da questão do Acordo Ortográfico peca por tardia mas isso não é culpa do atual (actual?) Presidente da República, que ainda agora chegou ao cargo e que sempre afirmou as suas reservas em relação ao mesmo.
 
O que realmente me irrita nesta questão do Acordo Ortográfico que até tem coisas lógicas (qual é o papel da consoante muda em "acto"?), é que também tem muito de desrespeito por aquilo que é a evolução da língua portuguesa (os espectadores não são com certeza "espetadores" na maioria dos casos, pois não "espetam nada" a não ser que lhes deem oportunidade para tal e queiram fazê-lo).
 
Por outro lado a forma como alguns, num ato (acto?) de subserviência parola escrevem "contato" em vez de "contacto" (apenas porque no Brasil se pronuncia, e, portanto, se escreve "contato" - Atenção que o Acordo é Ortográfico, não é Fonético), por exemplo, que é a forma como nós em Portugal pronunciamos a palavra (regra para a aplicação ou não das consoantes duplas no Acordo Ortográfico, quer se concorde ou não), revelam as nossas fragilidades culturais que se consubstanciam num seguidismo cego eivado de delapidações (involuntárias bem sei!) do nosso património cultural e que me deixam muito triste.
 
Em resumo, parabéns Prof. Marcelo Rebelo de Sousa por reavivar o assunto. Espero que possamos estar perante uma  reversão que, em tempo, possa ser considerada positiva. Bem-haja por isso
 
 
 
 

sábado, 23 de abril de 2016

De "peito feito"

Já repararam que os portugueses são extremamente corajosos (nas redes sociais)?
 
Deve ser um traço genético que ficou daquela época dos descobrimentos, sei lá!
 
O facto é que de cada vez que se consulta tais redes, a capacidade crítica que se observa nalgumas pessoas é fantástica, sobretudo aquelas a quem, fora do espaço virtual, não se lhes conhece qualquer tipo de intervenção pública construtiva.

Prevalece, nestes casos,  a crítica destrutiva, a insinuação e a demagogia. Já para não falar no insulto e difamação. Principalmente quando os seus autores sabem que tais espúrias palavras vão imediatamente arregimentar um conjunto de "amigos" que tanto se lhes dá como se lhes deu se a "crítica" em causa é justa ou fundada. Sim, porque vivemos em liberdade de expressão, não é? E onde há sangue há sede.

Tal comportamento tem sido seguramente objeto de estudos por especialistas na matéria. Desejo-lhes sorte e brevidade nas conclusões. Serei o primeiro leitor atento das mesmas.

Resta-me a "consolação" de procurar sempre distinguir o essencial do acessório e achar que, apesar de alguns se deixarem "enrolar", "cavalgarem" as ondas da maledicência ou dos rasgos de superficialidade, não serão a maioria nem pouco mais ou menos.

Penso eu de que!

sábado, 16 de abril de 2016

Modas

Nunca me passaria pela cabeça apresentar uma candidatura fosse ao que fosse sem conteúdos. sem ideias, sem equipa. Nada!

Mas há quem ache que isso não tem mal.

Por mim, exijo um pouco mais de respeito e acho que os "eleitores" também o deveriam exigir.

Se a moda pega, as campanhas eleitorais podem-se transformar em concursos de "amigos" do facebook. No final é só fazer a contabilidade. Nem é preciso haver votação.

A ver.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Paciência...

Aqui há uns anos atrás houve alguém a quem ouvi a frase - "A paciência é uma virtude e devemos cultivá-la".

A frase foi proferida numa fila de uma linha de distribuição de comida de um hotel em jeito de confidência relacionada com a atitude de alguém que demonstrava não possuir tal virtude. Não conhecia a pessoa, nem faço ainda hoje ideia de quem seja.
 
Apesar de representar algo que pode ser qualificado como senso comum, a expressão tem-me acompanhado e salta-me à memória de vez em quando, seja para me ajudar no tal cultivo da paciência que reconheço como positivo, seja para refletir um pouco sobre o alcance total da expressão.
 
Será a paciência uma virtude universal? Pensando um pouco encontrei logo um tema, em relação ao qual faço gala em não ter paciência - a Guerra. E não me refiro a qualquer representação metafórica da Guerra, que fique bem claro. Porque aí, quem não tiver paciência dá-se mal. Refiro-me àquela guerra que mata, que destrói fisicamente pessoas, nações.

Haverá outros? Cada um saberá... Eu, por mim, continuarei a minha busca.

 

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Sine ira et studio - "Sem ódio nem preconceito", foi o título que escolhi para este meu novo blogue onde, quando me apetecer, escreverei o que me apetecer.
 
Procurarei não vos importunar com questões fúteis ou pensamentos mal estruturados, mas não prometo.

Quem tiver a bondade de ler, é muito bem-vindo e só virá quem quiser, naturalmente.

Até breve!