Fui de fato ao almoço enquadrado no "abraço olímpico" promovido pelo Comité Olímpico de Portugal a bordo do navio-escola Sagres que, para nós, portugueses já era o mais belo navio-escola do mundo, mas que obteve reconhecimento internacional desse estatuto há poucas semanas. Orgulho de ser português!
E fui de fato, porque de facto costumo ir de fato a esse tipo de cerimónias. Eu, e os demais convivas, com raras exceções que, no contacto próximo não são exceções (excepções?) mas sim a norma de pessoas envolvidas no fenómeno que as ali levou.
Posto isto, importa realçar que o nosso Presidente da República, que tem surpreendido por muitas razões, a maior parte das quais pela positiva, decidiu colocar na agenda o reavivar da discussão sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa que, como é sabido, foi aprovado por todos os países da CPLP, mas apenas levado à prática (ainda) por quatro, a saber: Brasil, Cabo Verde, Portugal e São Tomé e Príncipe.
Isso é o que dizem os "Decretos". Na prática o que o Povo entende é que o referido Acordo foi transposto para a prática apenas por um país. Aceitam-se apostas... Sim! Portugal! O melhor aluno do Mundo!
De qualquer forma a atitude do nosso Presidente da República em colocar na agenda política o tema é muito do meu agrado pessoal (assim como o foi o facto de ter parabenizado pessoalmente campeões iniciados e juvenis de Ginástica). Não o fez com Juniores e Seniores mas não se pode querer tudo de uma vez. A seu tempo o fará!
Este reagendamento da questão do Acordo Ortográfico peca por tardia mas isso não é culpa do atual (actual?) Presidente da República, que ainda agora chegou ao cargo e que sempre afirmou as suas reservas em relação ao mesmo.
O que realmente me irrita nesta questão do Acordo Ortográfico que até tem coisas lógicas (qual é o papel da consoante muda em "acto"?), é que também tem muito de desrespeito por aquilo que é a evolução da língua portuguesa (os espectadores não são com certeza "espetadores" na maioria dos casos, pois não "espetam nada" a não ser que lhes deem oportunidade para tal e queiram fazê-lo).
Por outro lado a forma como alguns, num ato (acto?) de subserviência parola escrevem "contato" em vez de "contacto" (apenas porque no Brasil se pronuncia, e, portanto, se escreve "contato" - Atenção que o Acordo é Ortográfico, não é Fonético), por exemplo, que é a forma como nós em Portugal pronunciamos a palavra (regra para a aplicação ou não das consoantes duplas no Acordo Ortográfico, quer se concorde ou não), revelam as nossas fragilidades culturais que se consubstanciam num seguidismo cego eivado de delapidações (involuntárias bem sei!) do nosso património cultural e que me deixam muito triste.
Em resumo, parabéns Prof. Marcelo Rebelo de Sousa por reavivar o assunto. Espero que possamos estar perante uma reversão que, em tempo, possa ser considerada positiva. Bem-haja por isso