Entre 2012 e 2020 foram criados vários programas de apoio a ginastas, treinadores e clubes que mudaram de uma forma muito significantiva a capacidade dessas peças do sistema gímnico atuarem com eficácia e em registos mais próximos dos padrões internacionais.
Em seguida listam-se os programas mais importantes implementados:
Programa de bolsas, prémios e apoios a ginastas
Este programa foi uma das primeiras prioridades da gestão da FGP neste período tendo sido a sua primeira versão lançada em dezembro de 2012.
Até então apenas a Ginástica Artística Masculina dispunha de um sistema de bolsas.
O programa então lançado apenas abarcava inicialmente as disciplinas olímpicas e foi evoluindo no seu desenho e no investimento alocado anualmente que, nos últimos anos, chegou a perto de 80 000€/ano abracando todas as disciplinas.
Os 3 tipos de intervenção (bolsas, prémios e apoios) têm enquadramentos bastantes diferentes:
- As bolsas destinam-se à compatibilização entre uma vida académica/profissional e a prática da Ginástica de Alto Rendimento com patamares de excelência. Portanto, o acesso às bolsas parte de um referencial desportivo (um conjunto de resultados de excelência e) e compatibiliza (nos casos em que isso acontece) a necessidade de efetuar treinos bidiários com o percurso académico ou a entrada mais tardia na vida profissional e, por isso, não são uma recompensa por um resultado de excelência antes uma via para a prosecução continuada dessa mesma excelência num contexto de carreira dual;
- Já os prémios têm uma matriz completamente objetiva de atribuição. "X" resultado equivale a "Y" prémio. Os prémios e as bolsas são acumuláveis entre si e com bolsas do projeto olímpico quando existem assim como apoios no quadro dos percursos de excelência que mais à frente se abordará;
- Os apoios, por seu turno, têm uma dimensão mais social, numa apreciação casuística e destinam-se, sobretudo, a suprir carências de natureza soicioeconómica ou dificuldades desportivas transitórias de talentos ou de ginastas de excelência. Os apoios sempre estiveram abertos a todas as disciplinas.
Percursos de Excelência
Programa criado há cerca de 5 anos destinado espcificamente a estudantes universitários das disciplinas olímpicas e como complemento às bolsas, com características que passam, não só pelos resultados desportivos e académicos obtidos, mas também por um compromisso ao nível da carreira desportiva e de objetivos a curto e médio prazo.
Tanto o programa de bolsas, prémios e apoios como os percursos de excelência, contribuiram, ao longo dos anos para fixar mais ginastas durante mais tempo na prática da modalidade contribuindo assim, não apenas para o sucesso individual e coletivo de ginastas beneficiados(as) como também para o estabelecimento mais sólido de modelos para ginastas mais novos e, assim, a afirmação de uma "escola de ginástica portuguesa". É necessário que estes programas sejam prolongados no tempo e desenvolvidos de acordo com as possibilidades da FGP para que posam afirmar todas as suas mais-valias.
De realçar que os passos que foram dados neste programas, foram-no sempre de uma forma cuidada e sustentada por parte dea Direção da FGP para que pudessem perdurar no tempo.
Programa de Apoio a Treinadores de Alto Rendimento (PATAR)
Criado em 2012 teve como objetivo primordial a profissionalização de treinadores de Ginástica. Ao longo de 9 anos, com um investimento anual superior a 120 000€, beneficiou, ao longo de 9 anos, um conjunto de mais de 10 treinadores (as). Sem treinadores (as) profissionais será muito difícil à Ginástica portuguesa ser competitiva a nível internacional e, por isso, a continuidade e desenvolvimento de forma sustentada deste Programa muito contribuirá para o aumento dessa continuidade.
Apoio a Treinadores de Elevado Potencial (ATEP)
Com o desenvolvimento do programa PATAR, tornou-se evidente a partir de determinado momento que havia uma série de treinadores (as) de Elevado Potencial, que até contribuíam de uma forma significativa para as equipas nacionais sobretudo em escalões mais jovens mas que dificilmente tinham acesso ao programa PATAR quer por causa da limitação dos recursos financeiros, pelos escalões etários em que intervinham, pela possibilidade de profissionalização como treinador(a) de Ginástica ou pelas condições de treino existentes no clube de origem.
Foi a partir deste cenário que a Direção da FGP criou o Programa ATEP com um investimento anual de cerca de 12 000 e que ajudou a motivar e estimular treinadores/as de elevado potencial (4 por ano das várias disciplinas) num percurso que, como se sabe, é demorado e difícil até que se chegue aos patamares de intervenção de excelência em seniores.
Programa de Apoio ao Apetrechamento
Também criado em 2012, este programa rompeu com uma falta de tradição de investimentos programados nesta área tão importante para a sobrevivência dos clubes que, regra geral, não conseguem investir o necessário no tempo certo para que se mantenham competitivos e atraentes para as famílias que os procuram.
Com um investimento anual de cerca de 40 000€ mais de 50 clubes foram apoiados ao longo do período 2012-2020.
Este é um programa estruturante que, à medida das possibilidades da FGP, deveria ser ampliado ou pelo menos mantido com o propósito de, uma dia, todos os clubes filiados poderem ter sido objeto de algum tipo de apoio.
Esta amostra representativa de programas de apoio a ginastas, treinadores e clubes no período 2012-2020 revela uma atitude reformista, decidida, de serviço aos elementos estruturantes do sistema gímnico (ginastas à cabeça), que é indiscutivelmente o fim primeiro e último da FGP.