No passado dia 23 de abril, a Confederação do Desporto de Portugal promoveu uma reunião por videoconferência para a qual convidou todas as federações desportivas, destinada a analisar a situação atual do Desporto em Portugal em tempos de pandemia COVID-19. Muito bem! Foi preciso uma pandemia!
Mas... pensaram todos ou quase todos. Às vezes há males que vêm por bem e mais vale tarde que nunca.
Para essa reunião a CDP levou um extenso caderno reinvidicativo que colocou à consideração das mais de 40 federações presentes e que recebeu sem exceção ampla aprovação e até, nalguns casos, unanimidade.
Desse caderno reinvidicativo constavam tanto reinvidicações relativas ao impacto da COVID-19, como reinvidicações mais antigas sem nenhuma ligação com a situação atual. Desse caderno não fazia parte aquele que é um dos escândalos do financiamento público ao Desporto que é a distribuição dos proveitos das apostas desportivas online, tendo um leque muito significativo de federações presentes referido que este seria o momento ideal para dar equidade a essa distribuição promovendo assim maior justiça e uma afirmação de solidariedade que se impõe.
Para além disso várias federações referiram que a extensão do caderno reinvidicativo poderia ser a sua maior fraqueza uma vez que a dispersão de assuntos não favorecia o foco na apreciação de algumas medidas prementes no tempo que vivemos e que poderiam ser assim prejudicadas na sua análise por parte do Governo.
Alguns dias mais tarde, no dia 28 de abril, foi realizada uma reunião entre o Primeiro Ministro, o Presidente da Confederação do Desporto de Portugal, o Presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) e o Presidente do Comité Paralímpico de Portugal (CPP) para análise situação atual do Desporto e desenho de medidas (?)
Do caderno reinvidicativo que a CDP levou a essa reunião nem uma palavra.
Nos dias seguintes, o COP e o CPP enviaram a todas as federações documentos com informações sobre o decorrer da reunião e das propostas apresentadas.
Da parte da CDP um comunicado lacónico no sítio Internet onde se afirma que o Presidente da CDP "teve a oportunidade de cooperar e contribuir para a criação de estratégias que visem a retoma da atividade desportiva em Portugal". Sem mais!
Sem grandes explicações, com total ausência de identificação dos problemas levantados ou das soluções propostas!
Desconhece-se se a CDP abordou o tema da distribuição dos proveitos das apostas desportivas online, sendo que sabemos que o Comité Olímpico de Portugal e o Comité Paralímpico de Portugal o fizeram.
A conclusão lógica é de que a denominada CDP, para tristeza e prejuízo do Desporto português, neste momento simplesmente não existe, e de que a reunião promovida no dia 23 não foi mais do que um elemento de folclore com uma coreografia titubeante, que maior desígnio não teve do que, mais uma vez, atirar areia para os olhos das federações. Mais uma vez!
A conclusão lógica é de que a denominada CDP, para tristeza e prejuízo do Desporto português, neste momento simplesmente não existe, e de que a reunião promovida no dia 23 não foi mais do que um elemento de folclore com uma coreografia titubeante, que maior desígnio não teve do que, mais uma vez, atirar areia para os olhos das federações. Mais uma vez!
Portanto estamos a falar da Confederação do quê do quê?

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