domingo, 25 de setembro de 2016

Jogos Para(O)límpicos

Uma semana volvida sobre o encerramento dos Jogos Para(O)límpicos do Rio de Janeiro, partilho neste espaço uma inquietação que me assaltou já há muito tempo mas que até agora tem permanecido como um sentimento passivo.
Em primeiro lugar um pequeno esclarecimento: utilizo neste texto a palavra(?) Para(O)límpico por refletir o meu desacordo em relação ao termo Paralímpico, designação adotada pelo Comité Português contra a razão etimológica, que foi em devido momento alvo de parecer por linguistas em Portugal e rejeitada por razões que desconheço. Parece ser mais um caso em que a osmose linguistica parece ser mais fácil do que a preservação da língua portuguesa.
Voltando ao assunto deste texto, a minha inquietação é a estranheza por a Ginástica não fazer parte do programa Para(O)límpico.
Se olharmos para o programa dos Jogos Olímpicos de Verão verificamos que tem (sempre teve) três pilares que, para além de razões culturais e pedagógicas têm visto esse "estatuto" recorrentemente confirmado pelos barómetros modernos. As audiências televisivas e o impacto económico das modalidades. Refiro-me, como é sabido ao Atletismo, à Natação e à Ginástica.
Como também é sabido o Atletismo e a Natação são, também no contexto dos Jogos Para(O)límpicos as modalidades mais importantes e a Ginástica é inexistente.
Porquê? A única explicação que encontro é a de que a Ginástica não tem feito o suficiente para ser inclusiva.
Apesar de, em vários países incluindo Portugal, haver promoção de programas destinados a portadores de deficiência, não existem, tanto quanto saiba, com a exceção da deficiência mental que, como é sabido esteve arredada dos Jogos Para(O)límpicos cerca de vinte anos após os escândalos de Atlanta '96, programas padronizados a nível mundial para outros tipos de deficiência.
Então poderemos ter aqui uma razão mais do que objetiva para a não presença da Ginástica. Poderá haver outras, sem dúvida mas, provavelmente esta condicionante é decisiva.
O que fazer? Obviamente criar esses programas e procurar afirmá-los progressivamente até que seja impossível manter a Ginástica fora dos Jogos Para(O)límpicos.
A Ginástica portuguesa e designadamente a Federação de Ginástica de Portugal está disponível para fazer a sua parte e brevemente ampliará os programas que atualmente dinamiza, criando novas soluções para deficiências físicas, tentando motivar os clubes a abrirem espaço para a participação desportiva de pessoas com tais características.
Estou certo de que no dia em que a Ginástica for incluída no programa dos Jogos Para(O)límpicos o evento vai ter uma valorização extrema ao ponto da modalidade se tornar rainha nessa competição.
O que me leva a tal afirmação são os vários exemplos que existem nalguns países, de competições inclusivas a pessoas portadoras de deficiência que apresentam um grau de espetacularidade tão grande como o da Ginástica tradicional.
Até esse objetivo ser atingido é preciso alertar consciências e criar as oportunidades com determinação e perseverança.