sábado, 29 de outubro de 2016

Viver com coerência




Há quem diga: Oh pá! Isso da coerência tem muito que se lhe diga.
 
  • Muito que se lhe diga? Então?
  • Oh pá! então uma pessoa não tem o direito de mudar de opinião?
  • Pois! Se achares que a coerência é uma questão de opinião, então está tudo resolvido. Realmente essa coisa da coerência está muito sobrevalorizada, não é?
 
Esta conversa, por surreal que possa parecer a alguns é, de facto, real. Nas sociedades atuais a manutenção de uma atitude considerada como coerente no domínio dos princípios e doa ideais, deixou de ser, para muitos, algo que mereça especial atenção.
 
E pergunta-se em seguida qual a relevância dessa constatação? Eventualmente é apenas um sinal dos tempos. Uma característica moderna que nos convém integrar na nossa forma de viver.
 
Honestamente, não tenho uma opinião completamente formada sobre o assunto mas vejo mais perigos do que vantagens neste abordagem "moderna".
 
Se calhar vale a pena determo-nos um pouco sobre o significado do termo "coerência"
 
Embora geralmente associemos a coerência na vida aos princípios pelos quais nos regemos, a verdade é que o significado formal de coerência está muito mais ligado à pura lógica, ao efeito causal ou dependência ente dois ou mais factos ou ideias, do que ao plano dos ideais. 
 
Portanto, a coerência, no sentido estrito, tem muito mais que ver com a resolução de problemas ou a satisfação de interesses pessoais ou coletivos, do que com a fidelidade a ideais ou a princípios. Esta abordagem é útil para que possamos sempre integrar, num determinado momento, o presente, compreendendo o passado e perspetivando o futuro, independentemente dos juízos de valor subjetivos que possam sobrevir relativamente ao curso da História. E, sobretudo, faz-nos usar ou perceber o uso do termo "coerência" de uma forma diferente. Acho eu... 
 
 
 
 

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