Agora que chegaram ao fim os Jogos Olímpicos da XXXI olimpíada Rio de Janeiro 2016, tenho para mim que nunca houve tanta confusão entre os termos "Jogos Olímpicos" e "Olimpíada".
De resto, a própria designação adotada pelo comité Organizador Rio 2016 ("olimpíada", "olimpíadas") ajudou à festa.
Se é bem verdade que os termos "olimpíada" e "olimpíadas" se encontram dicionarizados como sinónimos de "Jogos Olímpicos", de facto essa aceção, difícil de explicar, tem sido desde sempre a utilizada no Brasil, mas não em Portugal e no resto do mundo.
Mas o mais curioso foi observar a imediata apropriação por pessoas com os mais variados tipos de responsabilidades que, sem pestanejar, passaram a utilizar o termo "olimpíada" referindo-se aos Jogos Olímpicos por osmose do que os nossos irmãos brasileiros fazem. E quando algumas dessas pessoas foram jornalistas de Órgãos de Comunicação Social influentes claro está que essa osmose se processou a um ritmo muito mais acelerado.
Como resolver a contradição que surge em chamar "olimpíada" a um evento cujo nome oficial é "Jogos da XXXI olimpíada" no caso do Rio de Janeiro? Se são os Jogos da olimpíada (espaço de tempo entre duas edições dos Jogos Olímpicos) não são, com certeza, a olimpíada em si.
Não sou contra a evolução da Língua portuguesa. De resto, hoje em dia ninguém pensaria em defender, por exemplo que escrevamos farmácia com "ph" como se fez durante muito tempo, mas essa dita evolução tem que ter uma lógica, digo eu, caso contrário cai-se no risco da degeneração tal como tem acontecido com as línguas mais faladas no mundo (entre as quais o português se inclui como sabemos).
Acho que estas mutações linguísticas necessitam de ser objeto de um pouco mais de reflexão da parte de cada um de nós e também de uma política ativa de defesa da língua por parte do Estado que nos representa.
É por isso que sempre que posso faço a minha parte.
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