domingo, 17 de janeiro de 2021

Eventos nacionais

 

Eventos Nacionais de Ginástica
Evolução em 9 anos de gestão da FGP

Quase que apetece dizer que, nos últimos anos, a evolução foi como se costuma dizer "da noite para o dia" mas isso seria, de facto, injusto. Muito se conseguiu mas muito falta ainda desenvolver. O principal obstáculo, já se sabe, são os recursos seja de que tipo forem mas, quanto a isso, o fundamental é ter sempre, como aconteceu nestes últimos nove anos, um pensamento redistributivo relativamente às mais-valias que a FGP vai conseguindo em várias áreas da sua atuação.

Existem vários vetores de abordagem da evolução da organização dos eventos nacionais de Ginástica como: Público, Componentes tecnológicas, programas competitivos, logística, só para referir algumas. Neste texto vou referir alguns aspetos foram a face mais visível (e alguns não tão visíveis) da intervenção nos eventos nacionais entre 2012 e 2020.

Como em tudo na vida, houve momentos chave que marcaram de uma forma intensa o caminho percorrido e que encerram não só decisões de gestão mas, sobretudo, decisões de política desportiva de grande densidade afirmando uma matriz ideológica com consequências profundas em muitas outras áreas de atuação da FGP, das At's e dos clubes. Refiro-me especificamente à introdução da bilheteira nos eventos de Ginástica, já abordada num texto anterior, à redução do número de eventos organizados a cada ano pela FGP nas disciplinas competitivas, o incremento dos eventos em Ginástica para Todos, o incremento gradual de componentes tecnológicas nos eventos nacionais e a política de coorganização de eventos. Estas decisões foram tomadas em momentos bem identificados na linha do tempo com repercussões distintas mas alcançando um efeito global de valorização do eventos nacionais de Ginástica que atraiu um número crescente de praticantes e espetadores.

Alguns indicadores dão-nos a segurança de que este é o caminho certo. Se olharmos para o número médio de espetadores em cada evento nacional verificamos a seguinte evolução: 2014 - média de 346 espetadores por evento; 2015 - 635 (foi em 2015 que se iniciou de uma forma mais intensa a redução do número de eventos organizados pela FGP com o consequente ganho de qualidade dos eventos organizados); 2016 - 656; 2017 - 865; 2018 - 918; 2019 - 908. Praticamente triplicou o número de espetadores nos eventos nacionais de Ginástica entre 2014 e 2019!

Analisemos agora o número de eventos organizado em cada ano entre 2016 e 2019: 33, 26, 20, 21. Não sendo certamente a única explicação, a diminuição do número de eventos organizados pela FGP e consequente melhoria da qualidade organizativa tem, salvo melhor opinião, uma correlação direta com o aumento de espetadores nos eventos.

A transformação dos eventos de Ginástica teve várias fases (altos e baixos também) que foram sendo implementadas de acordo com os recursos gerados e atingiu, no malfadado ano de 2020, uma maturidade que permite fazer uma relação mais estreita entre os recursos comunicacionais modernos e a espetacularidade da Ginástica. Listo alguns desses elementos de transformação sem nenhuma ordem em especial tentando situá-los na linha do tempo:

  • Definição de prazo mínimo de antecedência para publicação de circulares de competições (15 dias) que foi cumprido na esmagadora maioria dos eventos desde 2015;
  • Equipas de emergência médica e paramédica em todos os eventos (a partir de 2014);
  • Introdução de sistemas profissionais de processamento de resultados para todas as disciplinas da Ginástica (GAF, GAM e GR a partir de 2012, restantes disciplinas a partir de 2013/2014, sendo que para o Teamgym apenas a partir de 2015 se não me falha a memória, e para o Gym for Life Portugal em 2020);
  • Publicação de cadernos de resultados completos (salvo algumas exceções que ocorreram por problemas técnicos) em 24 horas depois do termo do evento. Em muitos casos conseguiu-se que a norma fosse apenas algumas horas depois;
  • Ecrãs LED para projeção de resultados, publicidade e outras informações (a partir de 2013 para eventos selecionados e a partir de 2016 todos);
  • Introdução de sistema de bilhética que tem 3 valências: presencial, online e em agências (a partir de 2013);
  • Resultados em tempo real na app da FGP (a partir de 2019);
  • Transmisão em streaming de todos eventos (2020).
Muito haveria ainda a dizer sobre este tema, sobretudo o sucesso enorme que tem sido a Festa Nacional da Ginástica organizada numa base anual e que representa a grande diáspora da Ginástica numa afirmação do que é o conjunto de todas as disciplinas gímnicas e o Gym for Life Portugal, jóia da coroa da Ginástica para Todos, também organizado numa base anual, revelando números de participação crescentes sendo o maior Gym for Life do mundo, incluindo o Gym for Life mundial que tem tido menos de metade dos participantes da versão portuguesa.

Salientam-se ainda as incursões efetuadas em 2012 e 2019/2020 no mundo do espetáculo com a criação do "Flic-Flac" (2012) e do "Pirouette" na sequência de um desafio do Comité Olímpico de Portugal (2019/2020) que, mais uma vez, uniram a diáspora gímnica e as artes performativas de uma forma emocionante e com níveis de qualidade artística e desportiva ímpares. Certamente uma linha de ação a explorar muito valorizadora da marca Ginástica.

Termino por agora este quarto texto.

Até breve.



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