domingo, 29 de agosto de 2021

Evolução de resultados desportivos

 



Os dez anos de atividade gímnica que decorreram entre 2010 e 2019 foram recheados de eventos significantes para a Ginástica portuguesa e mostram resultados desportivos que muito orgulham todos quantos se interessam por Ginástica mas que, até à data, nunca foram alvo de uma análise  técnica sistematizada com base em comparações internacionais.

Juntamente com um grupo de pessoas interessadas pela modalidade levei a cabo um dos ângulos de análise possíveis com base em determinados pressupostos que adiante explicarei e que mostram, em meu entender com clareza, não só o que foi a evolução das várias disciplinas da Ginástica nesses 10 anos, mas também a importância que análises deste tipo podem ter na definição e na monitorização das políticas gímnicas e no apoio às decisões que os gestores desportivos nos seus diversos níveis de intervenção têm que tomar, seja ao nível dos investimentos, seja na definição de programas desportivos para a excelência ou para o fomento desportivo.

Começo por dizer que todos os resultados desportivos considerados (para já apenas Campeonatos do Mundo e Campeonatos da Europa de Seniores) estão disponíveis para consulta pública em diversos sítios Internet sem ser necessário qualquer tipo de credenciais especiais.

A saber:

Federação de Ginástica de Portugal             www.fgp-ginastica.pt/resultados
European Gymnastics                                www.europeangymnastics.com
Fédération Internationale de Gymnastique   www.fig-gymnastics.com
Gymmedia                                                www.gymmedia.com
Sport Acrobatics Info                                 www.sportsacrobatics.info/results/rlist.htm
Gymnastics Results                                   http://gymnasticsresults.com

Foi adotado um sistema que atribui uma pontuação a cada resultado e que permite qualquer tipo de comparação quer esta seja interna à disciplina ou interdisciplinar (embora não seja esse o objetivo deste estudo) independentemente da densidade de cada competição (número de países e de ginastas ou pares/grupos participantes).

Para cada resultado desportivo é estabelecida primeiramente uma pontuação que é inversa ao resultado (p.ex: 1º lugar com 10 participantes, 10 pontos, 2º lugar 9 pontos... 10º lugar 1 ponto) e seguidamente essa pontuação é multiplicada pela divisão de 100 pelo número de participantes. No exemplo anterior o 1º lugar terá uma pontuação de 100 pontos, o 2º lugar 90 pontos, etc.. 

Exemplo para uma competição com 245 participantes:

1º lugar= 245*(100/245)=100 pontos
2º lugar= 244*(100/245)=99,59 pontos
...
245º lugar=1*(100/245)=0,41 pontos

Neste texto mostrarei uma série de gráficos que correspondem à análise dos dados recolhidos (se algum leitor estiver interessado em obter os dados recolhidos pode contactar-me explicando o motivo pelo qual deseja obtê-los)

Nesses gráficos podemos observar tendências que correspondem à evolução da competitividade internacional de cada disciplina.

O Teamgym não foi incluído nesta análise devido à ainda escassez de competições (apenas 3 no período em causa).

Na Ginástica de Trampolins foram consideradas todas as especialidades sem distinção da especialidade olímpica (trampolim individual) das outras.

Foi sempre considerado o melhor resultado em cada competição independentemente da fase em que foi obtido (qualificações ou finais). Assim, por exemplo se um ginasta obteve o segundo lugar nas qualificações e o sexto na final o resultado considerado para este efeito foi o segundo lugar.

Neste texto centrar-nos-emos na evolução do total anual de pontos, no número médio de países participantes e na média de pontos por resultado.

Como já anteriormente explicado esta é apenas uma análise de muitas que se julga deveriam ser efetuadas para melhor compreendermos a evolução da Ginástica portuguesa e, sobretudo, melhor projetarmos o futuro.

Boas análises!

Evolução do total anual das diversas disciplinas








Observando as linhas de tendência das várias disciplinas, facilmente se percebe uma tendência crescente em todas com exceção da Ginástica Artística Masculina que tem sinal inverso, sendo a tendência mais acentuada claramente a da Ginástica Rítmica no período analisado o que não surpreende dada a ausência de participação ao nível de Campeonato da Europa ou do Mundo em quatro dos dez anos em análise (2010, 2011, 2012 e 2016).

Portanto, se a participação (e a qualidade da mesma? Adiante veremos.) cresceu de uma forma geral, passaremos em seguida a perceber qual foi a evolução da competitividade internacional (densidade) de cada disciplina neste período considerando o número médio de países participantes. (não foi tomada em consideração, para já o número de participantes, até porque esse fator está incluído na fórmula de cálculo das pontuações de cada resultado e, por essa via, já incluído na análise)


Evolução da média de países participantes nas disciplinas







Numa análise superficial poder-se-ia afirmar que a densidade da participação internacional tem tendência decrescente na Ginástica Acrobática, na Ginástica Aeróbica e na Ginástica Artística Masculina e crescente nas restantes com realce para a tendência espetacularmente crecente na Ginástica Rítmica.

Ora, uma análise mais fina faz-nos ver que, na Ginástica Acrobática, apesar da tendência ao longo dos dez anos da análise ser decrescente,  os últimos três anos têm um comportamento inverso, sendo até bastante crescente, e isso coincide com o também maior crescimento do total anual da disciplina. Por outro lado, na Ginástica Rítmica a reta de tendência é claramente influenciada pela já referida ausência de participação interncacional ao nível de Campeonatos do Mundo ou da Europa nos anos de 2010, 2011, 2012 e 2016. De qualquer forma, mesmo expurgando esses anos a tendência continua a ser crescente o que torna para a Ginástica Rítmica válida com as devidas adaptações a mesma análise efetuada para a Ginástica Acrobática.

Passemos então ao último parâmetro de análise: a média de classificação por resultado.

Evolução da média de classificação por resultado








Numa primeira análise dos gráficos constatamos que temos três disciplinas com uma reta de tendência crescente (AER, GAF e GR) e outras três com uma reta de tendência decrescente (ACRO, GAM e TRA).

Relativamente às tendências decrescentes:

No caso da Ginástica Acrobática esta é decisivamente influenciada pelos resultados de um par misto em 2011 e 2012, sendo nesses anos praticamente os únicos resultados internacionais em Campeonatos da europa e do Mundo e sempre de nível de medalhas ou muito próximo. De qualquer forma, e mais uma vez, ao olhar para últimos três/quatro anos a tendência é claramente crescente. Também na Ginástica de Trampolins a tendência decrescente é facilmente explicável pela mistura entre a especialidade olímpica e as não olímpicas pelo que se a análise fosse efetuada por especialidade os resultados seriam francamente diferentes com uma tendência marcadamente crescente na especialidade olímpica (fica para mais tarde).

Já na Ginástica Artística Masculina é difícil encontrar uma explicação para esta tendência decrescente especialmente por ser tão pronunciada e consistente.

À disposição para esclarecer quaisquer dúvidas.

Ginástica, sempre!  









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